Geneton Moraes Neto

Geneton Moraes Neto

A Cinemateca Pernambucana é aberta com uma homenagem especial ao realizador Geneton Moraes Neto, um dos principais diretores ligados ao movimento do super-8 do Recife, nos anos 1970. Além de ter uma sala para exibições e cursos com seu nome, toda a obra na bitola super-8 de Geneton foi salva em 4K, e será exibida numa mostra durante a reabertura do Cinema do Derby  e em programação especial na Cinemateca.

Nascido no Recife, em 1956, Geneton [Carneiro de] Moraes Neto. foi jornalista e cineasta. Como jornalista, foi considerado por muitos como um dos melhores que atuaram no Brasil nas última décadas. Iniciou a carreira como repórter ainda adolescente, no suplemento infantil Júnior, do Diario de Pernambuco, no início dos anos 1970. Geneton trabalhou na sucursal Nordeste de O Estado de S. Paulo, entre 1975 e 1980, na Rede Globo de Televisão a partir de 1985, tendo sido editor do Jornal da Globo e do Jornal Nacional, e posteriormente correspondente da GloboNews e do jornal O Globo na Inglaterra. Foi ainda editor-chefe do programa dominical Fantástico.

Em paralelo ao trabalho jornalístico, Geneton Moraes Neto foi responsável por uma importante produção no campo do audiovisual. A partir de 1973, passou a realizar curtas em Super-8, por influência e incentivo do crítico pernambucano Fernando Spencer. Até 1984, realizou curtas em Pernambuco, no Rio de Janeiro, na Itália e na França. Sempre curtas experimentais, baseados em textos poéticos, e explorando a imagem estourada da bitola super-8.

Em 2010, passou a dirigir documentários. Fez Canções do Exílio, exibido no Canal Brasil, com depoimentos de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jorge Mautner e Jards Macalé, sobre o período em que viveram em Londres como exilados da ditadura no Brasil. Também dirigiu Garrafas ao Mar: a Víbora Manda Lembranças – reunindo entrevistas gravadas ao longo de vinte anos de convivência com o jornalista Joel Silveira, tido como o maior repórter brasileiro. Realizou, em 2013, o documentário Dossiê 50: Comício a Favor dos Náufragos – com gravações em áudio e vídeo feitas com todos os onze jogadores que enfrentaram a Uruguai na decisão da Copa de 1950, no Maracanã.

 

Filmografia em super-8

Os filmes de Geneton digitalizados em 4K são:  Mudez mutante, 1973; Isso é que é, 1974; Conteúdo Zero – um filme para desentendidos, 1973/1974; Verão, veredas, 1976; Quando JK, 1977; Corinthians, coração, 1977; America morena I, 1977; América morena II, 1977; A flor do lácio é vadia, 1978; Esses onze aí – um filme panfletário, a favor do futebol, 1978; Funeral para a década de brancas nuvens, 1979; Fabulário tropical, 1979; A esperança é um animal nômade, 1981; Dr. Francisco, 1981/1984; Loja dos trapos do coração, 1982; O coração do cinema, 1983.

Acesse aqui os filmes disponíveis do diretor.