Conceito

A Cinemateca Pernambucana abre suas portas e surge como forma de fortalecer a cadeia produtiva do audiovisual no estado. Visa formular projetos e iniciativas voltadas para a preservação ampla do acervo pernambucano e sua disponibilização para realizadores, pesquisadores, estudantes e público em geral. Coordenada pelo Cinema da Fundação Joaquim Nabuco e em parceria com a TV Escola.

Desde os anos 1950 se discute a necessidade de um projeto que una preservação e exibição de filmes do acervo da produção pernambucana, iniciada já na primeira década do século XX. A cinemateca está sendo criada a partir do conceito de “preservação ativa”, que pressupõe não apenas a guarda dos materiais mas, ainda, sua difusão. Esse conceito pode ser entendido como uma forma ampla de coletar, preservar e, especialmente, difundir o que vem sendo produzido com tanta criatividade e força na área de cinema no estado.

Nesta sua primeira etapa, a Cinemateca Pernambucana prioriza a coleta e catalogação de filmes em matriz digital, e dos itens associados às obras, como roteiros, cartazes, fichas de produção, entre outros. Acordos contratualmente estabelecido entre a cinemateca e detentores dos direitos autorais dos filmes, regem as condições de guarda e/ou difusão das produções, caso a caso. A partir da inauguração do espaço, pesquisadores e estudantes já têm acesso  presencial, na sede da Cinemateca, ou remoto pelo seu portal, na internet, ao acervo reunido e devidamente catalogado.

Mesmo antes de ser inaugurada a Cinemateca já conta com a participação e autorização de mais de trinta diretores e produtores  para disponibilizar suas obras tanto por acesso pela web  e/ou por acesso local.

Referência ao Farol da Barra

Vista da barra, do farol e do Forte do Picão, em 1904.
Vista da barra, do farol e do Forte do Picão, em 1904.

A marca da Cinemateca Pernambucana faz uma referência ao antigo Farol da Barra, que foi construído no Porto do Recife, em 1817. A imagem do farol está presente em diversas imagens técnicas (fotografias e filmes) realizadas em Pernambuco a partir da segunda metade do século XIX. Além disso, faróis são metáforas da projeção e da visão circular, interessada em ver de todos os lados.

O Farol da Barra também evoca o risco do esquecimento, da destruição da memória coletiva de um lugar. Ele já não existe mais como nas antigas imagens do passado, por que foi considerado “ultrapassado” em 1931, substituído um ano depois por uma lanterna automática de 500 mm e, em 1938, deslocado para uma torre no prédio da Capitania dos Portos.

O Farol da Barra do Recife entrou na simbologia local e aparece nos escudos oficiais do Recife e de Pernambuco, justamente ao lado de representações do antigo forte e da barra. É uma imagem que reverencia a importância do Porto do Recife, que tornou a cidade um ponto de intensa troca entre o Brasil e o mundo.

Do antigo farol só restam ruínas. Como só restam fragmentos de muitos filmes realizados em Pernambuco desde o início do século XX.